Leonardo Fróes, um de nossos grandes tradutores literários, que traduziu Contos completos de Virginia Woolf (Cosac Naify, 2005), foi um dos convidados das excelentes Tertúlias com Tradutores que o SESC realizou em 2009.
"a tradução corre sobretudo um perigo: o de simplificar excessivamente o original"; "virginia foi vítima disso, de certa forma" (já no finalzinho, entre 8:00 e 8:22).
Muito interessantes seus comentários sobre o título de To the Lighthouse em português:
Incrível, passou tão batida essa edição de 1993 mencionada pelo Leonardo, Ao farol, pela Ediouro, que eu nem tinha incluído entre os vários títulos com que saiu a tradução de Luiza Lobo (agora já acrescentei, e inclusive encomendei o único exemplar que encontrei à venda nos sebos).
Quanto ao título dessa tradução que vou fazer, acho que tem de se levar em conta a imagem do farol também como metáfora do papel que mrs. Ramsay desempenha em relação à família e aos próximos: justamente um farol, iluminando as relações, dando um centro, um ponto de referência para as várias perspectivas, coisa da qual os personagens se apercebem após sua morte. E assim, levemente, To the Lighthouse ressoa para mim como uma espécie de dedicatória também.
Mas Leonardo tem razão: a gente é tão habituada ao Passeio ao farol, Rumo ao farol, que é bem possível imaginar uma certa resistência de fundo comercial à mudança de título. É o que ocorreu, por exemplo, com Metamorfose de Kafka, com A volta do parafuso (ou A outra volta do parafuso) de Henry James, que pegaram tanto que as novas traduções não conseguem se desprender desses títulos não muito satisfatórios, mas tão, digamos, consagrados.
De minha parte, quando me perguntam (por causa do título deste blog) se o título vai ser mesmo Passeio ao farol, tenho respondido que este é "meu passeio" ao farol.
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Dona Denise,
ResponderExcluirsempre incansável!
O título sempre me pareceu, mesmo sem ter lido o livro, uma convocacão para seguirmos direto para o farol. E agora que falas da mrs. Ramsay passou a me soar como dedicatória, algo como "dedicado para o Farol", com maiúscula como se fosse nome de um personagem. Palpites de quem sempre adiou ler Virgínia e que certamente lerá tuas traduções.
:-)) é, acho que essas ressonâncias nunca são muito gratuitas. leia sim - não sou muito fã (ou não era) de virginia woolf, acho meio chatinha - mas não deixa de ser imperdível!
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